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Como Transferir Veículo de Pessoa Falecida para o Herdeiro

23 de abril de 2026·Fuxicar

Perder um familiar é um momento difícil, e lidar com a burocracia logo em seguida pode tornar tudo ainda mais complicado. Uma das dúvidas mais comuns entre herdeiros é como transferir o veículo de uma pessoa falecida para o seu nome. O processo envolve inventário, documentação específica e uma ida ao Detran — e entender cada etapa evita dores de cabeça e atrasos desnecessários.

Quais documentos são necessários para a transferência

Antes de ir ao Detran, você precisa reunir uma série de documentos. A lista pode variar um pouco de estado para estado, mas no geral você vai precisar de:

  • Certidão de óbito do proprietário falecido
  • Formal de partilha (em caso de inventário judicial) ou escritura pública de inventário e partilha (em caso de inventário extrajudicial)
  • Documento do veículo (CRV — Certificado de Registro de Veículo) assinado ou com autorização judicial
  • CRLV em dia (licenciamento do veículo)
  • CNH ou documento de identidade do herdeiro que ficará com o veículo
  • Comprovante de residência atualizado do novo proprietário
  • Comprovante de quitação de IPVA e multas do veículo

É fundamental que o veículo esteja com toda a documentação em dia. Se houver IPVA atrasado ou multas pendentes, será necessário quitar essas dívidas antes de concluir a transferência. Para verificar a situação completa, você pode consultar a placa e ter um panorama detalhado de pendências.

Inventário judicial ou extrajudicial: qual caminho seguir

Para transferir qualquer bem de uma pessoa falecida — incluindo veículos — é obrigatório fazer o inventário. Existem dois caminhos possíveis.

O inventário extrajudicial é feito em cartório e costuma ser mais rápido e menos burocrático. Ele pode ser utilizado quando todos os herdeiros são maiores de idade, estão de acordo com a divisão dos bens e não há testamento. Nesse caso, é necessário contratar um advogado, e o cartório emite uma escritura pública de inventário e partilha.

O inventário judicial é obrigatório quando há herdeiros menores de idade, quando existe testamento ou quando os herdeiros não chegam a um acordo sobre a divisão. Esse processo tramita na Justiça e pode demorar meses ou até anos, dependendo da complexidade do caso. Ao final, o juiz emite o formal de partilha, que é o documento que autoriza a transferência dos bens.

Se o veículo for o único bem deixado pelo falecido e tiver valor reduzido, alguns estados permitem a transferência por meio de um alvará judicial simplificado, sem necessidade de inventário completo. Consulte um advogado para verificar se essa opção se aplica ao seu caso.

Passo a passo para transferir o veículo no Detran

Com o inventário concluído e os documentos em mãos, o processo no Detran segue estas etapas:

  1. Reúna toda a documentação listada acima, incluindo o formal de partilha ou escritura pública
  2. Quite débitos pendentes do veículo, como IPVA, licenciamento e multas
  3. Agende o atendimento no Detran do estado onde o veículo será registrado — muitos estados exigem agendamento prévio
  4. Compareça ao Detran com o herdeiro responsável portando todos os documentos originais e cópias
  5. Pague as taxas de transferência de propriedade e emissão de novo CRV
  6. Aguarde a emissão do novo documento do veículo em nome do herdeiro

Em alguns estados, como São Paulo, o atendimento para transferência por óbito é feito exclusivamente de forma presencial, sem opção digital. Antes de ir, vale verificar o histórico do veículo para garantir que não há restrições judiciais ou administrativas que possam travar o processo.

Novidade: Resolução 571/2024 facilita o processo

Uma mudança recente trouxe mais agilidade para os herdeiros. Com a Resolução nº 571/2024 do Contran, tornou-se possível lavrar uma escritura pública com poderes específicos para o inventariante alienar ou transferir o veículo antes mesmo da conclusão total do inventário.

Na prática, o administrador do espólio pode solicitar ao cartório uma escritura que autorize a transferência do carro enquanto o inventário ainda está em andamento. Alguns estados, como São Paulo, já aceitam esse documento no Detran. Essa mudança é especialmente útil quando o inventário se arrasta por meses e o veículo precisa ser utilizado ou vendido com urgência.

Quanto custa a transferência por herança

Os custos variam conforme o estado, mas você deve considerar as seguintes despesas:

  • Taxa de transferência do Detran: varia de R$ 100 a R$ 300, dependendo do estado
  • Vistoria veicular: geralmente entre R$ 100 e R$ 200
  • IPVA e multas pendentes: se houver débitos, precisam ser quitados antes
  • Custos do inventário: o extrajudicial em cartório custa em média de 2% a 4% do valor dos bens; o judicial envolve custas processuais e honorários advocatícios

Para ter uma ideia mais detalhada dos custos de transferência em geral, confira nosso guia sobre quanto custa transferir um veículo.

Cuidados importantes antes de aceitar o veículo

Nem sempre herdar um veículo é um bom negócio. Antes de assumir a transferência, avalie alguns pontos importantes.

Verifique se o veículo não possui restrições judiciais, gravame de financiamento ou registro de sinistro que possa comprometer seu valor. Uma consulta veicular completa revela essas informações rapidamente pela placa.

Se o veículo tiver débitos acumulados que superam seu valor de mercado, pode ser mais vantajoso renunciar ao bem durante o inventário. Débitos de IPVA e multas acumulados ao longo de anos podem tornar a herança um prejuízo financeiro.

Também é importante verificar a situação mecânica do veículo, especialmente se ele ficou parado por muito tempo. Carros que ficam sem uso por períodos longos podem desenvolver problemas na bateria, pneus, freios e sistema de arrefecimento.

Se o veículo herdado precisar ser vendido depois, o processo é o mesmo de qualquer transferência entre particulares — com a diferença de que o primeiro passo é colocá-lo no nome do herdeiro.

Transferir o veículo de uma pessoa falecida exige paciência e organização, mas seguindo as etapas corretas o processo é perfeitamente viável. O mais importante é iniciar o inventário o quanto antes e manter toda a documentação do veículo regularizada para evitar complicações no Detran.

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