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Como Fazer um Contrato de Compra e Venda de Veículo Usado

28 de abril de 2026·Fuxicar

Comprar ou vender um carro usado entre particulares é uma das transações mais comuns no Brasil. Mas muita gente fecha negócio apenas com um aperto de mão ou, no máximo, assinando o CRV. O problema é que, sem um contrato formal, você fica desprotegido caso algo dê errado depois da venda — como multas anteriores, vícios ocultos ou até disputas sobre o valor combinado.

Por que fazer um contrato de compra e venda

O contrato de compra e venda de veículo é um documento particular que formaliza as condições da transação entre comprador e vendedor. Ele não substitui a transferência no Detran, mas funciona como uma garantia jurídica para ambos os lados.

Sem contrato, o comprador não tem como provar que o vendedor se comprometeu a entregar o carro sem débitos, por exemplo. E o vendedor não tem como provar que já entregou o veículo e que multas posteriores não são responsabilidade dele.

O Código Civil brasileiro garante validade a contratos particulares assinados pelas partes. No caso de veículos, basta que comprador e vendedor assinem o documento, preferencialmente com duas testemunhas. Registrar em cartório não é obrigatório, mas dá mais segurança jurídica ao documento.

Cláusulas essenciais do contrato

Um bom contrato de compra e venda de veículo usado deve conter, no mínimo, as seguintes informações:

Dados das partes:

  • Nome completo, CPF, RG, endereço e telefone do comprador e do vendedor

Dados do veículo:

  • Marca, modelo, ano de fabricação e modelo, cor, placa, chassi (VIN), Renavam e quilometragem atual

Condições financeiras:

  • Valor total da venda (por extenso e em números)
  • Forma de pagamento (à vista, parcelado, PIX, transferência bancária)
  • Data e condições para entrega do veículo

Responsabilidades:

  • Quem arca com débitos anteriores à venda (IPVA, multas, licenciamento)
  • Prazo para o comprador realizar a transferência no Detran
  • Declaração do vendedor sobre a situação do veículo (sem sinistro, sem restrição judicial, sem gravame)

Cláusula de vícios:

  • Declaração de que o comprador teve oportunidade de inspecionar o veículo
  • Condições para reclamação de vícios ocultos (defeitos não visíveis no momento da compra)

Foro e assinaturas:

  • Cidade e data
  • Assinaturas de comprador, vendedor e pelo menos duas testemunhas

Antes de assinar, é fundamental verificar o histórico do veículo para confirmar que não existem pendências que o vendedor omitiu — como gravame ativo, restrições judiciais ou registro de sinistro.

Diferença entre contrato e CRV (ATPV-e)

Muita gente confunde o contrato de compra e venda com o CRV (Certificado de Registro de Veículo), que hoje é emitido na versão eletrônica chamada ATPV-e. São documentos com funções diferentes:

  • Contrato de compra e venda: registra as condições comerciais da transação (preço, garantias, responsabilidades, prazos). É um acordo entre as partes.
  • CRV / ATPV-e: é o documento oficial que autoriza a transferência de propriedade no Detran. Sem ele preenchido e assinado pelo vendedor, não é possível transferir o veículo.

O ideal é ter os dois. O contrato protege ambas as partes sobre as condições do negócio, enquanto o CRV permite efetivar a mudança de titularidade. Se quiser entender melhor a diferença entre os documentos veiculares, confira nosso guia sobre CRV e CRLV.

Cuidados antes de assinar o contrato

Antes de formalizar a compra, tome alguns cuidados fundamentais:

  1. Consulte a placa do veículo. Use um serviço de consulta veicular completa para verificar se há multas, IPVA atrasado, gravame, sinistro ou restrição no veículo. Mais de 30% dos carros usados no Brasil têm algum tipo de débito pendente.

  2. Confira os dados do documento. Compare o chassi gravado no veículo com o que consta no CRV e no contrato. Qualquer divergência é motivo para desistir da compra.

  3. Verifique a identidade do vendedor. O nome no CRV deve ser o mesmo da pessoa que está vendendo. Se for um terceiro, exija procuração com firma reconhecida.

  4. Defina prazos claros. O comprador tem 30 dias após a assinatura do CRV para transferir o veículo. Inclua essa obrigação no contrato, com multa em caso de descumprimento.

  5. Não pague sem contrato assinado. Mesmo que o vendedor pareça confiável, nunca transfira valores antes de ter o contrato e o CRV em mãos.

Para um guia completo sobre toda a documentação envolvida, veja nosso post sobre documentos necessários para comprar carro usado de particular.

O que fazer depois de assinar

Com o contrato assinado e o pagamento realizado, o próximo passo é transferir o veículo para o seu nome no Detran. Não deixe para depois — o prazo legal é de 30 dias, e atrasar pode gerar multa e pontos na CNH.

Guarde o contrato original em local seguro. Ele é sua prova de compra e pode ser necessário em caso de disputas futuras, cobrança indevida de multas anteriores à venda ou até para acionar o vendedor por vícios ocultos.

Se o veículo ainda tiver financiamento ativo (gravame), a transferência só poderá ser feita com a concordância do banco. Nesse caso, o contrato deve incluir uma cláusula específica sobre a quitação ou transferência do financiamento.

Por fim, consulte a placa novamente após a transferência para confirmar que tudo ficou regularizado no seu nome e que nenhuma pendência antiga permaneceu vinculada ao veículo.

Consulte a placa do veiculo

Descubra o historico completo antes de comprar